paric á

Joÿffffe3o da Silva joaodasilva99 at YAHOO.COM
Thu Aug 21 17:28:30 UTC 2008


Uma pequena complementação, a título de curiosidade, às excelentes informações do Victor: a casca do angico é alucinógena; é usada, atualmente, no baixo amazonas (informação pessoal de um amigo antropólogo que trabalha na região de Parú, Amazonas paraense, perto de Óbidos) por pajés - curandeiros não-índios da região - fumada em um cigarro e através da qual o pajé entra em contato com os Encantados, entidades espirituais de origem Indígena.
 
Adolfo de Oliveira
 
 
--- On Thu, 21/8/08, Victor Petrucci <vicpetru at hotmail.com> wrote:

From: Victor Petrucci <vicpetru at hotmail.com>
Subject: [etnolinguistica] paricá
To: etnolinguistica at yahoogrupos.com.br
Date: Thursday, 21 August, 2008, 5:48 AM






Caro Eduardo e demais listeiros
 
De novo uma pergunta instigante.
 
Berta Ribeiro em seu livro Os Índios das Aguas Pretas, (1995:242) assim descreve paricá: "pó extraído da fruta do paricazeiro, torrada e socada, para ser aspirado pelas narinas por meio de um implemento especial, feito de ossos de pernas de aves, ou para ser insuflado, reciprocamente, quando tomado em cerimônia".
 
Nos dicionários mais usuais sua origem é dada a partir de um Tupi genérico pari'ká o que a meu ver é muito pouco. Seria LGA, seria Tupinambá? A glotal indicaria um termo composto?
 
O paricazeiro é comumente chamado nessa região de Angico. No dicionário Aurelio temos um sinônimo como camboatã-branca. Outros dicionários definem como "espécie de tabaco".
 
O termo é conhecido pelo menos desde o sec. XVII e já aparece nas Crônicas do Maranhão de Betendorf (c. 1698) onde cita um povo "... Iruizes com seus cavalleiros, e dadas as boas vindas, o levou para casa do paricá, feita em o meio do terreiro, para tomarem seu paricá e fazerem suas danças e bebedices."
 
J.Daniel em Tesouro do Rio Amazonas de 1767 igualmente cita o paricá "... alguns velhos também tem o seu cachimbo para se regalarem com o paricá em logar do tabaco ..." em outro trecho vem: "Tem nas suas povoações, além destas suas casas particulares, uma outra maior a que chamão a casa do Paricá, commum a todos..."
 
Um fato interessante é que muitos povos utilizam o paricá, contudo os termos não mostram nenhuma relação com o tupi paricá. Exemplos niopo (sul da Venezuela; não sei de que povo); curupa (Omágua), curuva (Otomaka); cahoba (já encontrado por Colombo em sua segunda viagem em 1496); nupa, nopo (Maipure), ñopa, ñupa (Saliva); niopa, nopa, yopa (Aruaque), yopo, hisioma (Waiká); vilca, huilca (Quechua); cebil, cevil (norte da Argentina), hatáj (Mataco), kakoíme (Karimé), mori (kaxuiâna do Trobetas) Todos estes termos estão no O índio e as plantas alucinógenas de Sangirardi Jr. 1983:127. Aliás, a capa do livro vem com uma ilustração do sec. XVIII de um índio mura utilizando-se de um paricá.
 
Pelo menos uma lenda cita a evocação de Jurupari através do paricá com poder mágico e divinatório. Quem sabe os dois termos tenham uma mesma origem.
 
Um abraço
 
 
 
 
 
Victor A. Petrucci Campinas - Brasil ------------ --------- --------- --------- --------- --------- - Visite meu site / Visit my site / Visite mi sitio http://geocities. com/indianlangua ges_2000 530 línguas indígenas / lenguas indígenas / indigenous languages 28.000 palavras / palabras / words 





To: etnolinguistica@ yahoogrupos. com.br
From: kariri at gmail. com
Date: Wed, 20 Aug 2008 19:37:46 -0400
Subject: Re: [etnolinguistica] Empréstimos entre línguas Macro-Jê: 'cachimbo', 'machado'





Caros Adolfo, Victor e Mary,

Obrigado a todos pelas dicas. A propósito, esta palavra para 'cachimbo' em 
Kaiapó, mencionada pelo Adolfo, é um empréstimo do Karajá (warikòkò; tb. 
warikòna). A descrição dada, aliás, bateria perfeitamente com a do cachimbo 
Karajá -- publicada, com desenho e tudo, por Ehrenreich.

Isto me fez pensar em duas outras semelhanças. A palavra para 'fumo' em 
Xerénte é wariN (a primeira sílaba teria sido provavelmente um prefixo, como 
sugerido pela forma em línguas Jê do Norte, karen; a raiz que pude 
reconstruir, no momento, limita-se às línguas Jê "amazônicas": *-ren). Uma 
possibilidade então, talvez remota, é que a forma para 'cachimbo' em Karajá 
se relacionaria com a forma para 'fumo' em Xerente (cf. Karajá kò 'pau').

Aproveitando a ocasião, gostaria de requentar um outro pedido de ajuda à 
lista, também sobre o tabaco. Trata-se de tentativa de traçar, mais ou 
menos, uma possível rota para a difusão do cultivo do tabaco -- e de 
palavras relacionadas com seu uso -- pelas terras baixas da América do Sul: 
http://lista. etnolinguistica. org/763

Aproveitando um pouco mais, gostaria que, se possível, me esclarecessem uma 
outra dúvida: qual a origem da palavra -- e do produto -- paricá?

Mais uma vez, agradeço qualquer contribuição a esta discussão.

Abraços,

Eduardo

----- Original Message ----- 
From: João da Silva
To: etnolinguistica@ yahoogrupos. com.br
Sent: Tuesday, August 19, 2008 10:17 AM
Subject: Re: [etnolinguistica] Empréstimos entre línguas Macro-Jê: 
'cachimbo', 'machado'

Eduardo,

A palavra caiapó (mebengokré) para aquilo que a gente chamaria 
'cachimbo' é warikokó. A coisa em si mesma é um instrumento para fumar 
tabaco, que no século XIX (informação referente aos Caiapós do Araguaia, 
extintos oje) era uma semente dura de árvore - tenho a impressão que de 
jatobá), marron, comprida, furada na forma de um bocal de um lado e com o 
furo atravessando ela e saindo do outro lado, por onde se puxava a fumaça. 
Hoje em dia se os faz de madeira, um 'cachimbo' reto, sem curva, como era o 
warikokó antigo.

Abs,

Adolfo de Oliveira





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