[etnolinguistica] Imprensa: 'Luzia' mexicana agita ocupa��o da Am�rica

Eduardo Rivail Ribeiro erribeir at MIDWAY.UCHICAGO.EDU
Tue Sep 14 20:30:51 UTC 2004


Mais lenha na fogueira das controv�rsias sobre as origens do homem americano. A mat�ria abaixo foi publicada na edi��o de hoje da Folha Online.  O link para a mat�ria � o seguinte:

http://www1.folha.uol.com.br/folha/ciencia/ult306u12410.shtml

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14/09/2004 - 05h05
"Luzia" mexicana agita ocupa��o da Am�rica CLAUDIO ANGELO
Editor de Ci�ncia da Folha de S.Paulo

Uma nova an�lise do f�ssil humano mais antigo do M�xico est� ajudando a confirmar a hip�tese de que os primeiros americanos eram mais parecidos com os abor�genes da Austr�lia do que com os �ndios atuais. E, ao mesmo tempo, causando um racha entre os cientistas sobre a rota que esses pioneiros usaram para migrar at� a Am�rica: a pesquisadora que estudou o cr�nio mexicano afirma que eles vieram da Austr�lia.

O f�ssil em quest�o � um cr�nio conhecido como Mulher de Pe��n, desenterrado no deserto da Baixa Calif�rnia. Com 12,7 mil anos, Pe��n � estatisticamente contempor�nea de outro f�ssil feminino ilustre: Luzia, de cerca de 13 mil anos, desenterrada numa gruta em Lagoa Santa (MG). As data��es fazem de ambas os esqueletos humanos mais antigos j� descobertos nas Am�ricas.

Examinando o cr�nio de Luzia e de outros esqueletos antigos de Lagoa Santa e da Col�mbia, o bioantrop�logo mineiro Walter Neves, da USP, e seu colega argentino H�ctor Pucciarelli descobriram que eles n�o tinham nada das fei��es mongol�ides (asi�ticas) dos �ndios americanos. Eles se pareciam muito mais com popula��es da �frica, com os abor�genes australianos e com os melan�sios, o que sugeria que o povoamento do continente americano foi um processo muito mais complexo do que se imaginava.

Se os esqueletos mais antigos eram t�o diferentes --e eles aparentemente n�o deixaram tra�o na popula��o ind�gena atual--, raciocinou a dupla, essa primeira leva de migrantes deveria ter sido substitu�da por uma segunda onda, de mongol�ides, num evento que pode ter envolvido competi��o por recursos e at� viol�ncia.

Pistas escassas

O modelo de Neves e Pucciarelli, no entanto, tem sido olhado com reservas pela comunidade cient�fica. A principal cr�tica, feita por antrop�logos americanos, diz respeito � falta de esqueletos antigos na Am�rica do Norte.

Prov�vel porta de entrada para os grupos humanos que emigraram da �sia durante o Pleistoceno (per�odo encerrado h� cerca de 10 mil anos, tamb�m conhecido como Idade do Gelo), a parte norte do continente ainda n�o havia fornecido restos humanos de idade compar�vel � de Luzia.

O quadro come�ou a mudar com a data��o da mulher de Pe��n, publicada no fim de 2002 pela arque�loga mexicana Silvia Gonz�lez, da Universidade John Moores, no Reino Unido.

Gonz�lez e sua equipe realizaram medi��es no f�ssil que confirmam a hip�tese de Neves e Pucciarelli. Ela apresentou seus resultados na �ltima semana em dois congressos cient�ficos, um no Reino Unido e outro na Cidade do M�xico.

O grupo de Liverpool e o da USP chegaram a escrever juntos um artigo cient�fico --que deve ser publicado at� o fim deste ano-- descrevendo o f�ssil de Pe��n e quatro outros cr�nios mexicanos do Pleistoceno, todos eles parecidos com Luzia.

"Na quest�o da morfologia, pelo menos por escrito, ela concorda comigo", disse Neves � Folha.

Rotas alteradas

Mas os dois grupos partem companhia quando o assunto � a rota de migra��o dos paleo�ndios (como s�o chamados os primeiros americanos) da �sia para a Am�rica. Em uma de suas apresenta��es, Gonz�lez afirmou que havia forte evid�ncia apontando para uma migra��o transpac�fica, a partir da Austr�lia, via Polin�sia.

Essa hip�tese j� foi descartada por quase todos os estudiosos do povoamento da Am�rica, inclusive por Neves --que acredita que os paleo�ndios vieram mesmo pelo estreito de Bering, entre Alasca e Sib�ria, a mesma rota usada pelos ancestrais dos �ndios atuais.

"[Ela] � um perigo ambulante, e seria melhor que deixasse de nos defender", afirmou o argentino Rolando Gonz�lez-Jos�, antrop�logo do Centro Nacional Patag�nico que trabalha em colabora��o com a equipe de Neves e analisou os cr�nios mexicanos.

Gonz�lez tamb�m afirmou que havia semelhan�as entre os paleo�ndios do M�xico e uma tribo da Baixa Calif�rnia, os pericus, extintos durante o per�odo colonial. Ela prometeu evid�ncias de DNA que confirmariam suas id�ias, mas, segundo Gonz�lez-Jos�, elas s�o inconclusivas. "O an�ncio que ela est� fazendo com pompa e circunst�ncia n�o condiz com a evid�ncia", disse.

Furioso com a confus�o, Neves resumiu: "Esse artigo foi a nossa �ltima colabora��o."



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Eduardo Rivail Ribeiro
Museu Antropol�gico, Universidade Federal de Goi�s
Department of Linguistics, University of Chicago
http://www.etnolinguistica.org







		
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