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Felippe Jorge Kopanakis kopanakisgrego at YAHOO.COM.BR
Sat Apr 16 16:33:52 UTC 2011


Linguagem humana tem origem na África, afirma pesquisa



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REINALDO JOSÉ LOPES

GIULIANA MIRANDA

DE SÃO PAULO




O continente africano, além de berço da espécie humana, também teria 
sido o local em que um idioma de verdade, com gramática e vocabulário 
complexos, foi falado pela primeira vez na história.



A ideia está sendo defendida em um novo estudo, que analisou mais de 500
 línguas de todas as partes do mundo em busca do caminho que a 
"invenção" da linguagem teria seguido planeta afora.



Segundo o trabalho, publicado nesta semana na revista americana 
"Science", a variedade de fonemas --a menor unidade sonora, que permite a
 diferenciação entre as palavras-- altera-se conforme a localização 
geográfica.



A maior quantidade de fonemas se concentra no seria o "marco zero" das línguas, o centro-sul da África.



Conforme os idiomas vão se afastando dessa aparente fonte comum, eles 
vão ficando empobrecidos em fonemas --com menos tipos de vogais, 
consoantes e tons (variantes "musicais" das sílabas, comuns em línguas 
como o chinês, por exemplo).






Editoria de Arte/Folhapress









COISA VIVA



O autor da pesquisa, Quentin Atkinson, da Universidade de Auckland (Nova
 Zelândia), aparentemente está construindo a carreira com base na ideia 
de que línguas podem funcionar de forma idêntica a coisas vivas.



Na década passada, ele usou métodos normalmente utilizados para estudar o
 parentesco evolutivo entre seres vivos para propor uma data para a 
origem das línguas indo-europeias --basicamente quase todas as línguas 
da Europa mais as de regiões como Índia, Paquistão e Irã.



Nesse estudo, ele estimou que esse tronco de línguas "brotou" pela 
primeira vez há 9.000 anos. Isso poderia ligá-las à expansão de 
agricultores da atual Turquia rumo à Europa, substituindo os antigos 
habitantes da região.



"É muito interessante, entre outras coisas porque muitos linguistas 
históricos aqui no Brasil, que estudam línguas indígenas, ainda não 
aplicam essas ideias à expansão de povos no passado", diz o geneticista 
Fabrício Rodrigues dos Santos, da UFMG.



Segundo Atkinson, uma coisa já sabida é que, quanto maior a população 
que fala uma língua, maior o número de fonemas de dita cuja.



Mas isso não significa que o chinês seja automaticamente a língua mais 
rica em fonemas do planeta. Faz muita diferença também o tempo que uma 
população grande fala certo idioma ±e nesse quesito a África parece ser 
imbatível, já que seres humanos modernos habitam o continente há bem 
mais tempo.



O padrão, além do mais, bate com o da genética --os africanos também são
 geneticamente mais diversificados que o resto da humanidade.



"E, de fato, eles possuem fonemas como os que envolvem cliques [estalos], aparentemente únicos", diz Santos.



Atkinson usa os dados para propor um único "eureca" linguístico há uns 
70 mil anos na África, que teria, inclusive, uma associação com os 
primeiros indícios de arte e adornos corporais, também datados dessa 
época.



Segundo essa visão, a linguagem complexa teria sido uma das ferramentas 
centrais para que a humanidade moderna avançassem pelos continentes e 
acabasse suplantando, de algum modo, hominídeos como os neandertais da 
atual Europa.
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